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O que o alargamento da praia mudou em BC

O alargamento da faixa de areia da Praia Central de Balneário Camboriú: o que a obra fez, o que mudou no uso da praia e o que perguntar antes de comprar.

O alargamento da Praia Central de Balneário Camboriú foi a obra que levou areia para a orla e aumentou bastante a distância entre os prédios e a água. A obra foi entregue no fim de 2021, cobriu os 5,8 quilômetros da orla central e fez a faixa de areia passar de cerca de 25 metros para algo em torno de 70 metros de largura, em média. Para quem compra, o efeito é sobre o uso da praia, a sombra na areia e uma pergunta que continua aberta: quanto custa manter essa faixa ao longo do tempo, e quem decide quando fazer.

O que este texto não faz é dizer que a obra valorizou os imóveis. Não há dado próprio para isso, e a obra mudou muita coisa ao mesmo tempo para que uma afirmação dessas se sustente.

O que foi feito

Segundo o que a imprensa registrou na época, foram mais de 2 milhões de metros cúbicos de areia retirados de uma jazida a cerca de 15 quilômetros da praia e espalhados ao longo da orla central. Em alguns pontos, a faixa ficou ainda mais larga do que a média, como no extremo sul, perto do molhe da Barra Sul.

A obra também abriu caminho para outra: a reurbanização da orla, iniciada depois do alargamento, por trechos. Quem compra hoje na Avenida Atlântica deve perguntar em que fase essa reurbanização está na frente do prédio.

O que mudou no uso da praia

Mais espaço na areia. Com cerca de 25 metros, a faixa antiga deixava pouco espaço entre o calçadão e a água. Com a areia quase três vezes mais larga, cabe mais gente, e a distância até a água ficou maior.

A caminhada até o mar ficou mais longa. Para quem comprou frente mar pensando em sair do prédio e entrar na água, a distância mudou. Para famílias com criança pequena ou pessoas com dificuldade de locomoção, isso faz diferença. Confira a pé, do portão do prédio até a água, antes de fechar.

A sombra dos prédios na areia mudou de lugar. Numa orla tão verticalizada, a sombra dos prédios chega à praia em parte do dia. Com a faixa mais larga, há mais areia além da sombra. Isso não elimina o efeito; muda onde ele cai. A forma de conferir é ir à praia em frente ao imóvel no meio da tarde e ver onde termina a sombra. O peso da sombra na escolha da unidade está em frente mar, quadra mar e segunda quadra em BC.

A areia não fica parada

Faixa de areia alargada artificialmente se move. Mar, corrente e ressaca redistribuem a areia, e a faixa pode recuar em alguns trechos.

Em BC isso já aconteceu. Em 2023, a imprensa noticiou o recuo de um trecho de cerca de 200 metros entre a Rua 4800 e o molhe da Barra Sul: a distância do calçadão até a água, que estava em torno de 180 metros, caiu para cerca de 110 metros. Continua sendo uma faixa larga, mas mostra que a largura não é fixa.

Para quem compra, a consequência é prática. O trecho da orla em frente ao seu prédio pode mudar com o tempo, para mais ou para menos areia, e a manutenção depende de decisão pública e de dinheiro público.

O que perguntar sobre manutenção

Não encontramos, numa fonte oficial atualizada, um calendário público de manutenção da faixa de areia. Em vez de supor, faça as perguntas certas:

  1. À prefeitura: existe plano de monitoramento da faixa de areia? Há previsão de nova reposição de areia, e para quais trechos?
  2. Ao síndico do prédio: o condomínio acompanhou alguma mudança na faixa em frente desde a obra? Houve ressaca que chegou perto do calçadão?
  3. Ao corretor: o trecho em frente ao imóvel está entre os que recuaram ou entre os que ganharam areia?
  4. Nas notícias locais: busque o nome da rua junto com "faixa de areia" e veja o que foi publicado nos últimos anos.

Se a resposta for que ninguém sabe, isso já é informação: a praia em frente é um bem público cuja forma futura não está sob controle de quem compra.

O que a obra não muda

O alargamento não alterou a lógica de compra na orla. Continuam valendo as mesmas perguntas:

  • A face da unidade e quantas horas de sol ela recebe.
  • O que pode ser construído no lote ao lado ou em frente, se o prédio não é frente mar.
  • O estado de conservação do prédio, sobretudo fachada e esquadrias, por causa da maresia.
  • A regra do condomínio para locação de temporada, se esse é o plano.

A obra também não muda o fato de que a orla de BC tem trechos com perfis diferentes. Barra Sul, Centro e Pioneiros continuam sendo produtos distintos, com movimento e prédios distintos, como está em Barra Sul, Centro ou Pioneiros: onde comprar em BC.

Sobre valorização

Circula muita afirmação de que a obra fez os imóveis de BC valorizarem. Pode ser, mas é difícil isolar o efeito. No mesmo período houve lançamentos, mudança de juros, mudança de demanda e muitas outras obras na cidade. O Fecha Mais não tem levantamento de preços de Balneário Camboriú, e não vamos dizer quanto a obra valeu.

Se alguém apresentar um número de "valorização depois do alargamento", peça a fonte, o período comparado e se a conta separa o efeito da obra do resto do mercado. Quase sempre não separa.

E se a dúvida for entre a orla central alargada e a Praia Brava, que fica em outro município e tem outra dinâmica de praia, a comparação está em Praia Brava é Itajaí ou Balneário Camboriú?.

O que fazer agora

Na visita a um imóvel frente mar, faça três coisas: caminhe do portão do prédio até a água, volte no meio da tarde para ver a sombra na areia e pergunte ao síndico o que mudou na faixa em frente desde 2021. Com essas três respostas, você sabe o que está comprando de praia, e não só de apartamento.

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