BlogSou corretorSou investidorLogin
Blog
Guia5 min de leitura

Iniciante: como fazer parceria com veterano

Sem carteira de imóveis, o iniciante tem outras moedas: comprador, trabalho de campo e disponibilidade. Como oferecer cada uma e o que pedir.

O corretor iniciante faz parceria com um veterano oferecendo o que ele ainda não tem tempo de fazer: trazer comprador, fazer o trabalho de campo e estar disponível quando o cliente quer visitar. Em troca, pede uma fatia combinada antes, por escrito, proporcional ao que vai entregar. Quem chega pedindo "uma oportunidade" sem dizer o que oferece costuma sair sem nenhuma.

O veterano tem o que você não tem: estoque, proprietários que confiam nele, histórico na praça. Você tem o que ele está sem: horas livres, energia para atender lead frio e, às vezes, um comprador que ele não encontraria.

O que o veterano precisa e não diz

Corretor com carteira grande quase sempre tem o mesmo gargalo: tempo. Imóveis captados demais para mostrar, leads demais para responder, proprietários cobrando retorno.

Na prática, isso aparece como:

  • Lead de portal que chega à noite e só é respondido no dia seguinte.
  • Visita de sábado que ele não consegue fazer porque já tem outra marcada.
  • Imóvel captado há meses sem foto nova e sem anúncio atualizado.
  • Comprador de fora da cidade que quer ver cinco imóveis num dia só.

Cada item dessa lista é uma porta para o iniciante.

As três moedas do iniciante

1. Comprador

É a moeda mais forte. Se você tem um cliente qualificado, com faixa, prazo e forma de pagamento definidos, você chega à conversa em pé de igualdade. O veterano tem o imóvel; você tem quem compra.

Aqui a divisão segue a lógica de qualquer parceria entre o lado do imóvel e o lado do comprador. Não aceite menos só por ser novo. Aceite o que for justo pelo trabalho que cada um vai fazer.

2. Trabalho de campo

Visita, foto, vídeo, levantamento de documento, acompanhamento de vistoria, ida ao cartório. Trabalho que o veterano sabe fazer e não tem tempo.

Isso vale menos que um comprador, porque o negócio ainda depende de alguém trazer o cliente. Mas é o tipo de ajuda que faz o veterano lembrar de você quando o próximo cliente aparecer.

3. Disponibilidade

Atender o lead em minutos, inclusive à noite e no fim de semana. Fazer a visita de sábado. Responder o comprador de outro estado que só pode falar depois do expediente.

Disponibilidade sozinha não paga comissão. Combinada com as outras duas, é o que diferencia o iniciante que vira parceiro fixo do que faz uma parceria e some.

Como fazer a proposta

Não peça "para aprender" nem "para ajudar no que precisar". Seja específico:

"Tenho disponibilidade nos fins de semana e à noite. Posso atender os leads dos seus imóveis no centro que chegam fora do horário e fazer as visitas de sábado. Se o cliente que eu atender fechar, a gente divide de que forma?"

Ou, se você tem um comprador:

"Tenho um cliente que busca casa em condomínio, faixa definida, para comprar este ano. Vi que você tem dois imóveis com esse perfil. Topa uma parceria? Eu conduzo o cliente, você conduz o proprietário."

O que essas mensagens têm: o que você oferece, para qual imóvel ou tipo de cliente, e a pergunta sobre divisão logo no começo. A abordagem a quem você nunca falou tem detalhes próprios, em como pedir parceria a um corretor desconhecido.

O que pedir em troca

Divisão combinada antes. Percentual por cenário: se você trouxe o comprador, se você só atendeu um lead que era dele, se você fez apenas a visita. Cada papel tem um peso, e a separação de quem faz o quê está em na parceria, quem faz o quê com o cliente.

Registro do que você fez. Lead atendido, visita feita, cliente apresentado. Uma planilha compartilhada ou mensagens confirmando cada passo. É o que protege você se o negócio fechar meses depois.

Acesso ao que você precisa para trabalhar. Ficha do imóvel, fotos, autorização de divulgação quando for o caso, contato para agendar visita. Sem isso, você atende o cliente às cegas.

Retorno sobre o seu trabalho. Peça ao veterano que diga o que você fez bem e o que fez mal. É a parte da parceria que vale mais nos primeiros meses e que quase ninguém pede.

Sinais de parceria ruim

  • O veterano não aceita combinar a divisão antes: "depois a gente vê".
  • Você faz visitas, ele fecha com o cliente sem avisar.
  • Ele pede exclusividade sobre os seus compradores, mas não oferece nada sobre os imóveis dele.
  • A fatia muda a cada negócio, sempre para baixo.

Se aparecer mais de um desses, a parceria não é parceria. É você trabalhando de graça.

O erro que mais acontece

Aceitar qualquer divisão no primeiro negócio para "mostrar serviço".

O iniciante aceita uma fatia pequena achando que o próximo negócio será melhor. Mas o percentual do primeiro vira o padrão, e o veterano não vê motivo para mudar. Comece com uma divisão justa pelo papel que você vai cumprir, ainda que modesta, e deixe claro que ela vale para aquele papel. Se o seu papel crescer, a fatia cresce junto.

O que fazer agora

Escreva numa lista o que você pode oferecer hoje: clientes ativos, horários livres, habilidades de campo (foto, vídeo, documentação). Depois, escolha dois corretores com carteira na sua cidade e mande uma proposta específica para cada um, com o que você oferece e a pergunta sobre divisão. Se ainda está organizando a rotina do começo de carreira, veja também os primeiros meses do corretor iniciante.

Continue lendo