Planta ou pronto: qual combina com você
Comprar na planta ou pronto depende do objetivo e do prazo: morar, alugar ou revender. Veja como cada opção se encaixa e as perguntas para decidir.
Comprar na planta ou pronto não é uma escolha entre "barato" e "caro". É uma escolha entre tempo e certeza. Na planta, você paga ao longo da obra, em geral com condição mais flexível, e recebe o imóvel anos depois, com o risco de a obra atrasar e de o mercado mudar no meio do caminho. No pronto, você vê exatamente o que compra e pode usar ou alugar no mês seguinte, mas precisa ter o dinheiro ou o financiamento agora.
Qual combina com você depende de três respostas: para que é o imóvel, quando você precisa dele e de onde vem o dinheiro.
Primeiro: para que é o imóvel
Para morar
Se a família precisa do imóvel em data certa (mudança de cidade, escola dos filhos, fim de um aluguel), o pronto ganha quase sempre. A planta exige que você aguente o prazo de obra mais uma eventual tolerância contratual de atraso, e que tenha onde morar até lá.
A planta faz sentido para quem mora bem hoje e quer o próximo imóvel daqui a alguns anos, com tempo para pagar a entrada aos poucos.
Para alugar
Imóvel pronto gera aluguel a partir do primeiro inquilino. Na planta, durante a obra inteira o dinheiro está aplicado sem gerar renda nenhuma, e depois da entrega ainda vêm mobília, condomínio de implantação e o tempo até o primeiro contrato.
Quem compra para renda precisa comparar o pronto alugando já com a planta alugando só depois da entrega. A planta pode compensar se o preço de entrada for bem menor, mas essa conta tem que ser feita com os números do empreendimento, não com promessa de valorização.
Se o plano é aluguel por temporada, há uma checagem anterior a qualquer outra: o que a convenção do prédio permite. Em imóvel pronto, você lê a convenção registrada e as atas. Na planta, a minuta da convenção é da construtora e pode mudar.
Para revender
É o perfil que mais compra na planta, e o que mais se arrisca. A ideia é entrar cedo e vender antes ou logo depois da entrega por um preço maior. Funciona quando o empreendimento é bem localizado e a construtora entrega; falha quando muitos investidores fazem o mesmo no mesmo prédio e saem todos juntos na entrega.
Quem compra pronto para revender depende mais da própria negociação: comprar abaixo do mercado, reformar, vender. A margem vem da compra, não do tempo.
A revenda, nos dois casos, depende de o imóvel ter saída. O que torna uma unidade fácil ou difícil de vender está em liquidez: por que alguns imóveis demoram a vender.
Segundo: o prazo e o risco que você aceita
| Na planta | Pronto | |
|---|---|---|
| Quando dá para usar | Depois da entrega | Logo após a escritura |
| O que você vê antes | Projeto, decorado, memorial | O imóvel real, a vizinhança real |
| Risco principal | Atraso, mudança de projeto, saúde da construtora | Vício oculto, condomínio problemático |
| Como se paga | Parcelas durante a obra e saldo na entrega | À vista ou financiado no ato |
| Documentos para checar | Registro da incorporação, contrato, construtora | Matrícula, certidões, atas do condomínio |
O risco da planta é concentrado numa empresa e num prazo. O risco do pronto é concentrado no próprio imóvel, e é mais fácil de inspecionar.
Terceiro: de onde vem o dinheiro
Na planta, o fluxo costuma ser entrada, parcelas mensais e reforços durante a obra, e um saldo grande na entrega das chaves, corrigido por índice. Esse saldo é pago à vista ou financiado no banco. Quem conta com financiamento na entrega precisa ter renda e crédito aprovados naquele momento, que é anos depois da compra. Mudou de emprego, a renda caiu, os juros subiram? O saldo trava. É o motivo mais comum de repasse antes das chaves.
No pronto, a conta é feita hoje: entrada, financiamento aprovado, custos de transferência. Não há surpresa de saldo corrigido lá na frente, mas é preciso ter tudo pronto de uma vez.
Para quem tem o dinheiro todo agora, a pergunta é outra: vale mais deixá-lo trabalhando e pagar a planta aos poucos, ou comprar pronto e começar a usar? A resposta depende do que você faria com o dinheiro nesse meio tempo, não de uma regra geral.
O caminho do meio: o repasse
Entre a planta recém-lançada e o pronto há o repasse: o contrato de alguém que comprou na planta e precisa sair antes das chaves. Você entra com a obra mais adiantada, prazo menor e, às vezes, preço abaixo da tabela atual da construtora. Em compensação, assume o saldo devedor nas condições do contrato original.
O ponto ideal de entrada depende do seu objetivo e do seu caixa, e está discutido em repasse: em que fase da obra comprar.
O erro que mais acontece
Comprar na planta para revender e não ter plano B. Se na entrega o mercado está saturado de unidades iguais, o investidor que só tinha o plano "vender" precisa quitar ou financiar o saldo de um imóvel que ele não queria ter. Antes de assinar, responda: se eu não conseguir vender, consigo pagar o saldo e ficar com esse imóvel? Se a resposta for não, a compra é mais arriscada do que parece.
O roteiro completo de quem decide pela planta, da escolha da construtora à entrega, está no guia para comprar imóvel na planta no Litoral Norte de SC.
As perguntas para decidir
- Quando eu preciso usar ou alugar esse imóvel?
- Se a obra atrasar, isso me causa um problema concreto?
- Eu consigo pagar o saldo da entrega sem depender de vender antes?
- Eu prefiro inspecionar o imóvel real ou confio no projeto e na construtora?
- O meu lucro vem da compra bem feita ou do tempo passando?
Duas ou mais respostas apontando para "preciso de certeza agora" indicam pronto. Duas ou mais apontando para "tenho tempo e caixa para esperar" indicam planta ou repasse.
O que fazer agora
Escreva o objetivo do imóvel numa frase (morar, alugar o ano todo, alugar por temporada, revender) e a data em que você precisa que ele esteja gerando o que você espera. Com essas duas informações, metade das opções que aparecem para você deixa de fazer sentido, e a comparação entre as que sobram fica bem mais simples.