BlogSou corretorSou investidorLogin
Blog
Guia5 min de leitura

Como checar um corretor antes da parceria

CRECI ativo é o mínimo. O que mais conferir antes de dividir negócio com um corretor que você não conhece, e os sinais de alerta que aparecem na conversa.

Comece pelo CRECI e não pare nele. A inscrição ativa diz que a pessoa pode intermediar, mas não diz se ela paga o que combina, se respeita o seu cliente ou se some no meio do negócio. Para isso, a checagem tem mais três camadas: o que se encontra sobre ela, o que dizem os colegas que já trabalharam com ela e como ela se comporta na conversa antes do negócio.

Nada disso leva muito tempo. Quinze minutos de checagem costumam evitar meses de cobrança.

Camada 1: inscrição ativa e conferida

O mínimo é confirmar que a inscrição existe e está ativa. O site do CRECI-SC permite consultar pelo nome ou pelo número de registro e mostra a situação da inscrição. Como fazer a consulta passo a passo está em como saber se o corretor tem CRECI.

O que observar no resultado:

  • O nome bate com o de quem está falando com você. Número de CRECI de outra pessoa é o golpe mais simples que existe.
  • A situação é ativa. Inscrição suspensa, cancelada ou inativa significa que a pessoa não pode exercer a profissão agora.
  • Pessoa física ou jurídica. Se ela diz que fala por uma imobiliária, a imobiliária também tem inscrição própria, e vale conferir.
  • Estado de inscrição. Um corretor de outro estado precisa estar regular para atuar em Santa Catarina. Se ele diz que vai atuar aqui, pergunte como.

Peça o número do CRECI logo na primeira conversa. Corretor sério manda sem hesitar; quem desconversa já deu a primeira informação.

Camada 2: rastro público

Depois da inscrição, veja o que a pessoa já fez em público:

  • Anúncios ativos. Os anúncios dela trazem o número do CRECI? Os imóveis parecem reais, com fotos próprias, ou são imagens repetidas de outros anunciantes?
  • Redes sociais profissionais. Há quanto tempo existem, que tipo de imóvel aparecem, se a região bate com a que ela diz atuar.
  • Imobiliária a que é associada, se houver. Ligue para a imobiliária e confirme o vínculo.
  • Avaliações e reclamações. Uma busca pelo nome junto com a cidade às vezes mostra queixa de cliente, processo ou notícia.

Nenhum desses itens, sozinho, condena ou aprova alguém. Corretor novo tem pouco rastro, e isso é normal. O que pesa é incoerência: diz que atua há anos em Itapema e não tem nenhum anúncio na cidade; diz ser de uma imobiliária que não confirma.

Camada 3: referência de colegas

Esta é a camada que mais diz e a menos usada. O Litoral Norte é pequeno para quem vive de parceria. Alguém do seu círculo provavelmente já trabalhou com essa pessoa, ou conhece quem trabalhou.

Pergunte a dois ou três colegas de confiança. E faça as perguntas certas, não "ele é gente boa?":

  • Você já fechou negócio com ele? Ele pagou a sua parte no prazo?
  • Ele respeitou o seu cliente ou tentou falar direto?
  • Ele deu retorno quando o negócio não andou?
  • Você faria parceria com ele de novo?

A última pergunta resume as outras. Uma resposta que demora para vir já é resposta.

Camada 4: a conversa antes do negócio

O comportamento nas primeiras mensagens é a checagem mais barata de todas. Alguns sinais de alerta:

  • Pede o contato do seu cliente cedo demais. Antes de qualquer acordo, ele quer o telefone do comprador "para agilizar". É o sinal mais forte de risco de circunvenção.
  • Pede o endereço exato e o nome do proprietário antes de ter um cliente concreto para o imóvel.
  • Resiste a pôr a divisão no papel. "Entre a gente é na palavra" é ótimo até a comissão cair.
  • Promete demais. Cliente "certo", fechamento "garantido", pressa sem motivo.
  • Pede adiantamento de qualquer tipo, seja taxa, sinal ou reserva, para mostrar imóvel ou apresentar cliente.
  • Muda de versão. O imóvel era exclusivo, depois "é de um amigo", depois "o dono me autorizou de boca".

E alguns sinais bons: ele pergunta sobre o seu cliente antes de oferecer o imóvel, propõe a divisão sem você pedir, manda dados completos sem enrolar e quer formalizar antes da visita.

Como deve ser a primeira mensagem de quem pede parceria, do lado de quem escreve, está em como pedir parceria a um corretor desconhecido. Vale ler para reconhecer o padrão de quem faz direito.

Ajuste o cuidado ao risco

Nem toda parceria pede as quatro camadas completas. Uma régua prática:

  • Indicação simples, negócio pequeno, colega recomendado por alguém de confiança: CRECI e uma referência bastam.
  • Imóvel de valor alto, proprietário que pede discrição, cliente que você levou tempo para conquistar: as quatro camadas, e a divisão assinada antes de qualquer dado sensível.
  • Corretor que ninguém do seu círculo conhece e que pede contato do cliente cedo: pare. Ou ele aceita formalizar primeiro, ou não há parceria.

Checagem não substitui o papel

Mesmo o corretor mais bem referenciado pode ter um desentendimento com você. A checagem reduz o risco de cair com alguém de má-fé; o acordo escrito resolve o desentendimento entre gente de boa-fé.

O termo precisa ter, no mínimo, a identificação dos dois com CRECI, o imóvel e o cliente, a divisão e a proteção contra a negociação direta. Os campos completos estão em termo de parceria entre corretores: o que pôr.

E a ordem importa: primeiro o termo, depois o endereço, o nome do proprietário e o contato do cliente.

O que fazer agora

Na próxima parceria com alguém que você não conhece, peça o número do CRECI na primeira mensagem, confira no site do conselho antes de responder, mande uma mensagem a dois colegas perguntando se fariam parceria com essa pessoa de novo e só abra os dados do imóvel ou do cliente depois do termo assinado.

Continue lendo