Como checar um corretor antes da parceria
CRECI ativo é o mínimo. O que mais conferir antes de dividir negócio com um corretor que você não conhece, e os sinais de alerta que aparecem na conversa.
Comece pelo CRECI e não pare nele. A inscrição ativa diz que a pessoa pode intermediar, mas não diz se ela paga o que combina, se respeita o seu cliente ou se some no meio do negócio. Para isso, a checagem tem mais três camadas: o que se encontra sobre ela, o que dizem os colegas que já trabalharam com ela e como ela se comporta na conversa antes do negócio.
Nada disso leva muito tempo. Quinze minutos de checagem costumam evitar meses de cobrança.
Camada 1: inscrição ativa e conferida
O mínimo é confirmar que a inscrição existe e está ativa. O site do CRECI-SC permite consultar pelo nome ou pelo número de registro e mostra a situação da inscrição. Como fazer a consulta passo a passo está em como saber se o corretor tem CRECI.
O que observar no resultado:
- O nome bate com o de quem está falando com você. Número de CRECI de outra pessoa é o golpe mais simples que existe.
- A situação é ativa. Inscrição suspensa, cancelada ou inativa significa que a pessoa não pode exercer a profissão agora.
- Pessoa física ou jurídica. Se ela diz que fala por uma imobiliária, a imobiliária também tem inscrição própria, e vale conferir.
- Estado de inscrição. Um corretor de outro estado precisa estar regular para atuar em Santa Catarina. Se ele diz que vai atuar aqui, pergunte como.
Peça o número do CRECI logo na primeira conversa. Corretor sério manda sem hesitar; quem desconversa já deu a primeira informação.
Camada 2: rastro público
Depois da inscrição, veja o que a pessoa já fez em público:
- Anúncios ativos. Os anúncios dela trazem o número do CRECI? Os imóveis parecem reais, com fotos próprias, ou são imagens repetidas de outros anunciantes?
- Redes sociais profissionais. Há quanto tempo existem, que tipo de imóvel aparecem, se a região bate com a que ela diz atuar.
- Imobiliária a que é associada, se houver. Ligue para a imobiliária e confirme o vínculo.
- Avaliações e reclamações. Uma busca pelo nome junto com a cidade às vezes mostra queixa de cliente, processo ou notícia.
Nenhum desses itens, sozinho, condena ou aprova alguém. Corretor novo tem pouco rastro, e isso é normal. O que pesa é incoerência: diz que atua há anos em Itapema e não tem nenhum anúncio na cidade; diz ser de uma imobiliária que não confirma.
Camada 3: referência de colegas
Esta é a camada que mais diz e a menos usada. O Litoral Norte é pequeno para quem vive de parceria. Alguém do seu círculo provavelmente já trabalhou com essa pessoa, ou conhece quem trabalhou.
Pergunte a dois ou três colegas de confiança. E faça as perguntas certas, não "ele é gente boa?":
- Você já fechou negócio com ele? Ele pagou a sua parte no prazo?
- Ele respeitou o seu cliente ou tentou falar direto?
- Ele deu retorno quando o negócio não andou?
- Você faria parceria com ele de novo?
A última pergunta resume as outras. Uma resposta que demora para vir já é resposta.
Camada 4: a conversa antes do negócio
O comportamento nas primeiras mensagens é a checagem mais barata de todas. Alguns sinais de alerta:
- Pede o contato do seu cliente cedo demais. Antes de qualquer acordo, ele quer o telefone do comprador "para agilizar". É o sinal mais forte de risco de circunvenção.
- Pede o endereço exato e o nome do proprietário antes de ter um cliente concreto para o imóvel.
- Resiste a pôr a divisão no papel. "Entre a gente é na palavra" é ótimo até a comissão cair.
- Promete demais. Cliente "certo", fechamento "garantido", pressa sem motivo.
- Pede adiantamento de qualquer tipo, seja taxa, sinal ou reserva, para mostrar imóvel ou apresentar cliente.
- Muda de versão. O imóvel era exclusivo, depois "é de um amigo", depois "o dono me autorizou de boca".
E alguns sinais bons: ele pergunta sobre o seu cliente antes de oferecer o imóvel, propõe a divisão sem você pedir, manda dados completos sem enrolar e quer formalizar antes da visita.
Como deve ser a primeira mensagem de quem pede parceria, do lado de quem escreve, está em como pedir parceria a um corretor desconhecido. Vale ler para reconhecer o padrão de quem faz direito.
Ajuste o cuidado ao risco
Nem toda parceria pede as quatro camadas completas. Uma régua prática:
- Indicação simples, negócio pequeno, colega recomendado por alguém de confiança: CRECI e uma referência bastam.
- Imóvel de valor alto, proprietário que pede discrição, cliente que você levou tempo para conquistar: as quatro camadas, e a divisão assinada antes de qualquer dado sensível.
- Corretor que ninguém do seu círculo conhece e que pede contato do cliente cedo: pare. Ou ele aceita formalizar primeiro, ou não há parceria.
Checagem não substitui o papel
Mesmo o corretor mais bem referenciado pode ter um desentendimento com você. A checagem reduz o risco de cair com alguém de má-fé; o acordo escrito resolve o desentendimento entre gente de boa-fé.
O termo precisa ter, no mínimo, a identificação dos dois com CRECI, o imóvel e o cliente, a divisão e a proteção contra a negociação direta. Os campos completos estão em termo de parceria entre corretores: o que pôr.
E a ordem importa: primeiro o termo, depois o endereço, o nome do proprietário e o contato do cliente.
O que fazer agora
Na próxima parceria com alguém que você não conhece, peça o número do CRECI na primeira mensagem, confira no site do conselho antes de responder, mande uma mensagem a dois colegas perguntando se fariam parceria com essa pessoa de novo e só abra os dados do imóvel ou do cliente depois do termo assinado.