BlogSou corretorSou investidorLogin
Blog
Guia5 min de leitura

Vídeo de imóvel com celular: roteiro

Roteiro de tomada para gravar vídeo de imóvel com o celular (entrada, sol, vista e vizinhança), pensado para o comprador que vai decidir a distância.

Para gravar vídeo de imóvel com celular, o que mais importa não é o aparelho, é a ordem das tomadas. O comprador que mora longe usa o vídeo para substituir a visita, então ele precisa ver o imóvel na sequência em que andaria por ele, com a luz real, a vista real e a rua real. Vídeo bonito que esconde o caminho do elevador até a porta não ajuda ninguém a decidir.

O roteiro abaixo foi pensado para esse comprador. Serve para mandar no WhatsApp, para o anúncio e para o Instagram, com cortes diferentes do mesmo material.

Antes de gravar

  • Limpe a lente. Parece bobagem e é o erro mais comum. Lente com dedo deixa tudo leitoso.
  • Celular na horizontal para o vídeo de visita completo; vertical para o corte de rede social. Se der, grave os dois.
  • Modo vídeo normal, sem filtro. Filtro muda cor de parede e de piso, e o comprador vai reclamar quando chegar.
  • Estabilização ligada. Ande devagar, com o celular perto do corpo e os cotovelos encostados.
  • Acenda todas as luzes e abra todas as cortinas. Depois, numa tomada separada, mostre o ambiente só com luz natural.
  • Peça autorização ao proprietário para gravar e para divulgar, e combine o que não deve aparecer: foto de família, documento sobre a mesa, objeto de valor.

O roteiro de tomadas

1. A chegada

Comece na rua, de frente para o prédio ou a casa. Mostre a fachada, a calçada e os dois lados da rua. Depois grave a entrada: portaria, hall, elevador ou escada.

Quem decide a distância quer saber como é chegar em casa todos os dias. É a parte que quase todo vídeo pula.

2. A porta e o primeiro olhar

Abra a porta e pare. Deixe a câmera mostrar o que se vê da entrada por dois ou três segundos, sem girar. Esse é o primeiro olhar de quem visita, e o vídeo deve reproduzir.

3. Os ambientes na ordem do uso

Sala, varanda, cozinha, área de serviço, corredor, banheiros, quartos. Em cada um:

  • Entre pela porta e grave do canto, para mostrar o ambiente inteiro.
  • Faça um movimento lento, num sentido só, sem voltar.
  • Mostre o detalhe que o comprador vai perguntar: armário embutido, ponto de ar-condicionado, tomada da cozinha, ralo do box.

Se algo tem defeito, mostre. Mancha de umidade escondida no vídeo vira desconfiança na visita, e o negócio cai por falta de confiança, não pela mancha.

4. O sol

Diga em que direção a varanda e os quartos estão voltados e mostre a luz no horário em que você está gravando. Se puder, volte em outro horário e grave a mesma tomada.

No litoral, a posição do sol muda tudo: calor da tarde na sala, quarto que nunca recebe luz, varanda que só dá para usar de manhã. O comprador de fora não tem como saber isso sem você.

5. A vista

Da varanda e das janelas, grave a vista de forma honesta. Comece no horizonte e desça a câmera até o que está logo em frente: o prédio vizinho, o terreno vazio, o telhado de baixo.

Vista de mar parcial é vista de mar parcial. O comprador que descobre na visita que o "frente mar" é uma fresta entre dois prédios não compra, e não volta a confiar em vídeo seu.

6. As áreas comuns

Garagem (com a vaga do imóvel, se for demarcada), piscina, salão, academia, bicicletário. Rápido, sem demorar em cada uma.

7. A vizinhança

Saia do prédio e grave o caminho até a praia, o mercado mais próximo, a padaria. A pé, com o celular na mão, sem cortar. Se for perto, o vídeo prova; se for longe, também.

Mostre o que o comprador vai encontrar à noite, se der: rua iluminada ou escura, movimento de bar, silêncio.

Narração ou legenda?

Fale pouco e com informação: "a varanda é voltada para o norte", "esse armário fica", "a vaga é coberta". Nada de "olha que espetáculo". Se não quiser narrar, escreva as informações depois, na mensagem que acompanha o vídeo.

Evite música alta no vídeo de visita. O som ambiente diz se a rua é barulhenta, e essa informação vale mais do que trilha.

Cortes para cada uso

  • Visita completa, horizontal, de três a seis minutos: para mandar a quem já está interessado, no WhatsApp.
  • Corte de trinta a sessenta segundos, vertical: chegada, primeiro olhar, varanda e vista. Para rede social e anúncio. Como usar esse material num perfil que traz cliente está em Instagram para corretor.
  • Tomadas soltas: sol, vista e vizinhança, para responder perguntas específicas depois.

O erro que mais acontece

Gravar só o que é bonito. O vídeo vira peça de propaganda, o comprador sabe disso e pede uma visita "para ver de verdade". Se ele mora a mil quilômetros, essa visita talvez nunca aconteça, e o negócio também não.

Vídeo honesto é o que permite ao comprador decidir sem vir, ou vir já decidido. O restante do atendimento a distância, de documento a assinatura, está em atender comprador que mora longe.

O que fazer agora

Salve o roteiro de sete tomadas no celular e use na próxima captação. Grave a visita completa e o corte curto na mesma ida. Antes de mandar, assista uma vez se perguntando: "se eu morasse longe, compraria com base nisso, ou pediria para ver de novo?". E confira se o anúncio que vai junto com o vídeo traz o que é obrigatório, como mostra o que o anúncio do corretor precisa ter.

Continue lendo